{"id":2947,"date":"2021-06-07T13:59:18","date_gmt":"2021-06-07T13:59:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aemarvao.pt\/site\/?p=2947"},"modified":"2021-06-07T13:59:18","modified_gmt":"2021-06-07T13:59:18","slug":"o-anjo-ferido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aemarvao.edu.gov.pt\/site\/o-anjo-ferido\/","title":{"rendered":"O Anjo Ferido"},"content":{"rendered":"<p>Tomando como ponto de partida O Anjo Ferido, uma pintura de Hugo Simberg, a Ana Carrilho criou esta hist\u00f3ria:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2948 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.aemarvao.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anjo.png\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/aemarvao.edu.gov.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anjo.png 451w, https:\/\/aemarvao.edu.gov.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anjo-300x245.png 300w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/p>\n<p>Certo dia, algures em 1903, um anjo desceu do c\u00e9u sem que o seu criador soubesse. Ela s\u00f3 queria explorar um pouco mais da terra e reencontrar o seu amigo humano, uma vez que o Senhor a proibiu de ver o seu amado, por este ser um dem\u00f3nio do submundo.<\/p>\n<p>A bela figura angelical aproximou-se dos port\u00f5es luminosos, preparou as suas longas e belas asas, fechou os olhos e saltou. Sabia perfeitamente que as asas se abririam no momento certo, logo n\u00e3o havia motivos para p\u00e2nico.<\/p>\n<p>J\u00e1 com os p\u00e9s assentes em terra humana, caminhou at\u00e9 chegar \u00e0 casa de Andr\u00e9, o \u00fanico que sabia do seu pequeno \u201csegredo\u201d e mais uma vez p\u00f4s-se a contar-lhe as novidades. Ora falava de idosos, crian\u00e7as e animaizinhos indefesos que infelizmente tinham chegado \u00e0 reta final, ora falava dos seus irm\u00e3os que nunca sequer ousavam desobedecer ao seu Pai. Chegou at\u00e9 a mencionar a bela paisagem e as \u00e1guas t\u00e3o l\u00edmpidas do rio, mas esse assunto desapareceu rapidamente, tal como o \u00e2nimo do anjo.<\/p>\n<p>Sabia que o seu amigo humano iria apenas ouvi-la e depois falar dos seus assuntos, mas desta vez o sentido dela disse-lhe que algo estava errado, s\u00f3 n\u00e3o conseguia descobrir o que era. Pensou que poderia ser algo com o humano, tinha no\u00e7\u00e3o de que um jovem negro n\u00e3o sobreviveria muito tempo numa sociedade racista como aquela. Era quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que se encontrassem no c\u00e9u, isto, claro, se o Senhor n\u00e3o se irritasse com um deles e decidisse que o submundo seria o mais adequado para estadia eterna.<\/p>\n<p>De repente, um estrondo alto faz-se ouvir e uma luz avermelhada aparece. Era Cain, a criatura mais travessa e bela do submundo. J\u00e1 disfar\u00e7ado de humano, aproxima-se dos dois sentados no ch\u00e3o, d\u00e1 um aperto de m\u00e3o a Andr\u00e9 e um abra\u00e7o apertado ao ser angelical ali presente e, como n\u00e3o podia deixar de ser, faz o seu t\u00edpico elogio \u00e0 menina, que cora como sempre. Senta-se com eles e emenda o assunto antigo com as hist\u00f3rias novas do inferno, mas cansa-se rapidamente e, persuasor como \u00e9, convenceu os amigos a explorar mais da nossa superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 foi \u00e0 frente, uma vez que conhecia melhor os poss\u00edveis perigos, j\u00e1 Cain e o anjo conversavam animadamente sobre os novos moradores de ambos os mundos, claro que sem deixar de lado os elogios, palavras e gestos melosos que ningu\u00e9m conseguiria replicar.<\/p>\n<p>Viram casas, pr\u00e9dios de empresas, quintas com animais ador\u00e1veis, parques de estacionamento e tudo o que podemos oferecer. Brincaram com crian\u00e7as de pequenas fam\u00edlias e animaizinhos abandonados ficando sempre com um pesar por v\u00ea-los sofrer, isto \u00e9, nem todos, o dem\u00f3nio n\u00e3o conseguia sentir pena, estava no seu \u00edntimo ser um ser cruel e impiedoso. Foram ver praias, onde a areia incomodava os n\u00e3o-humanos e relaxava o nosso rapaz, at\u00e9 numa montanha estiveram, sendo o anjo encarregado de lev\u00e1-los ao topo por ser a \u00fanica capaz de usar as suas asas at\u00e9 num mundo polu\u00eddo como o nosso.<\/p>\n<p>Quando voltaram para o pequeno rio, Andr\u00e9 teve de sair por uns instantes e o dem\u00f3nio decidiu que tinha de voltar a sentir os l\u00e1bios de quem tanto amava. Justamente nesse momento, Nosso Senhor viu o pecado que a sua filha acabara de cometer e, furioso por ter sido ignorado ao proibir a menina, faz com que uma enorme ferida chegasse diretamente ao cora\u00e7\u00e3o do delicado anjo. Ela n\u00e3o aguentou, por mais que n\u00e3o houvesse marcas vis\u00edveis, a ard\u00eancia no peito alastrava-se cada vez mais, fazendo com que fosse imposs\u00edvel respirar. A menina caiu com a fraqueza nas pernas e parecia incapaz de falar, Cain, assustado e angustiado por ver a sua amada assim, gritou para que Andr\u00e9 viesse depressa. Juntos, puseram-na numa maca improvisada e levaram-na para o \u00fanico s\u00edtio puro o suficiente para salv\u00e1-la.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o chegaram a tempo. Andr\u00e9 perdeu a sua \u00fanica amiga e Cain, bem, nunca mais foi o mesmo. Sem a sua amada, tornou-se algu\u00e9m completamente diferente, era apenas uma sombra do dem\u00f3nio que conhecemos.<\/p>\n<p>Assim termina a hist\u00f3ria dos dois \u00fanicos seres capazes de desafiar os seus Senhores por um amor incerto, que acabou em trag\u00e9dia. Quanto ao jovem Andr\u00e9, ele tornou-se o respons\u00e1vel por transmitir esta hist\u00f3ria a quem acha que o amor \u00e9 imposs\u00edvel. Uma pequena curiosidade, chamo-me Andr\u00e9, prazer em conhecer-vos, crian\u00e7as! Espero que gostem de uma das minhas hist\u00f3rias de vida mais intensas. Sinto a falta do Cain e do nosso anjinho&#8230;<\/p>\n<p>ANA CARRILHO, 8.\u00ba B \u2013 2020\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomando como ponto de partida O Anjo Ferido, uma pintura de Hugo Simberg, a Ana Carrilho criou esta hist\u00f3ria: Certo dia, algures em 1903, um anjo desceu do c\u00e9u sem que o seu criador soubesse. 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